Uma mulher antes do divórcio:
Enche o peito de ar para gritar ao mundo que vai ser mais feliz. Que não é um fim, é um começo. Que agora sim, vai fazer tudo o que não pôde fazer durante o casamento. Que vai namorar muito, sem compromissos. Que se vai esquecer do outro num piscar de olhos.A mesma mulher no dia do divórcio:
Bate-me à porta a chorar baba e ranho. Diz que ele era um canalha mas nunca o vai esquecer. Obriga-me a fazer pipocas e a ver séries tipicamente femininas com médicos bonitos e apaixonados, o que a faz chorar ainda mais. Não importa a quantidade de vezes que diga tudo o que uma vez ela dissera antes do divórcio, não importa, porque sou homem e não percebo nada disto, e só me apareceu em casa porque ficava mais perto. No fim, bebe uma garrafa de vinho branco praticamente inteira, definhando assim, lânguida, como uma boneca partida, no canto do sofá, até que, num acto de simpatia involuntário e um pouco masoquista, um senhor deveras cavalheiro e bem parecido a leva para o seu leito de maior conforto e definha ele próprio no sofá.
De manhã, cheio de dor de costas e rogando pragas a todas as mulheres do mundo, vejo-a a devorar o que restava dos meus cereais preferidos.

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