13.4.10

Estudios sobre el amor

Um livro genial do filósofo espanhol Ortega y Gasset, daqueles em que se vai notar bem que o li pela quantidade de frases sublinhadas e cantos de página dobrados. Tenho esse hábito, na vaga esperança que o gnomo que deambula por aqui, meio trapalhão, seja menos teimoso e orgulhoso que eu e encontre alguma graça nas partes do livro que me marcaram quando o li.

Dirão, com toda razão, que estudar o amor é uma afronta, uma negação total de todos os sentimentos românticos; que o amor não se estuda, sente-se, sofre-se, vive-se, descobre-se nos sentidos e não na razão. É por o amor não dever ser objecto de estudo que dou mais mérito a quem o consegue fazer, como Ortega y Gasset, que disserta sobre o malfadado ao longo de mais de 200 páginas.

Quando o comecei a ler, parei a meio, porque, confesso, o espanhol me estava a dar algumas dores de cabeça (a língua, não o senhor Gasset). Perdido no meio da minha pilha de livros que tenho para ler resgatei-o, podendo concluir depois da sua leitura que este José Ortega y Gasset é apenas e só um génio. Daquelas pessoas que conseguiria facilmente apaixonar a mulher mais desejada do mundo com uma conversa sobre mexilhões, supondo que a mulher mais desejada do mundo não tem qualquer ligação, profissional ou afectiva com mexilhões.

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