11.6.10

Coisas que num primeiro instante não damos importância, mas quando pensamos melhor...

Hoje fui ao hospital com o meu filho, nada de grave.
Quando lá cheguei, à minha frente estava uma senhora que, devido à urgência da situação deixou o carro de qualquer maneira e entrou com o filho, num estado muito, muito mau.
Eu faria o mesmo, senão pior.
Entrei para a sala de espera e atrás de mim um polícia, a exigir à senhora que deixasse o seu filho sozinho, teria por volta de 10 anos, e naquele estado lastimável, e que fosse estacionar o carro num sítio apropriado.
Como o polícia não se ofereceu para mudar o carro de lugar, fui falar com a senhora, já que não me encontrava numa situação urgente.
“Se confiar, eu posso ir estacionar o carro” – disse na melhor das intenções, claro.
A senhora olhou atarantada, agradeceu, mas recusou.
“Não se preocupe que eu não lhe levo o carro. Olhe, até lhe deixo o meu filho aqui ao pé de si” – insisti.
Era a única coisa que eu tinha mais valiosa do que o carro dela.
A senhora recusou novamente, deixou ali o filho, péssimo e a pedir à mãe para não ir, e lá foi ela, cumprir a ordem do polícia.
Estava muito confusa a senhora, mas... terei eu um ar assim tão miserável que a senhora entendeu a minha oferta como moeda de troca – o meu filho por um carro?
Acharia ela que eu ia fugir com o seu Mercedes descapotável, desses que se dizem "grandes bombas", e deixar-lhe o meu filho?
Prefiro pensar que não.
A desconfiança com que olhamos para todos, muitas vezes não nos deixa ser ajudados.

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