Este era o bom e velho Samurai. Tenho saudades dele e desta época fantástica de total descompromisso e sensação de liberdade que foi a minha vida. Florestas, montanhas, praias selvagens, meninas que apareciam e no próprio dia se desvaneciam. Fui muito feliz a bordo do samurai, muitas aventuras solitárias em que me apercebi que as pessoas têm compaixão por quem viaja sozinho, recebemos sorrisos e toda a gente tem vontade de nos agradar, mas também maravilhosas jornadas com os melhores. O bravo guerreiro era "duro na queda" e encarava com valentia qualquer desafio que nos aparecia à frente. Nunca falhava, nunca nos deixava a pé. Como naquela vez em que se transformou num carro anfíbio lá pelo sul da Bahia. Usámos e abusámos dele, até que um dia o velho guerreiro cansou-se.
E tudo enfim passou, passou como uma pena / Que o mar leva no dorso exposto aos vendavais, / E aquela doce vida, aquela vida amena, / Ah! Nunca mais virá, meu lírio, nunca mais!
Flores Velhas, Cesário Verde


0 comentários:
Enviar um comentário