30.3.10

Preso por ter cão e preso por não ter

Ela falava-lhe do novo amigo, recorrendo a termos como "complexo", "temperamental", "demasiado frontal".

Contudo, ressalvava, que nutriam um especial afecto um pelo outro e que parecia que já se conheciam há muito tempo. Pediu-lhe conselhos e que fosse o mais franco possível com ela.

Ele só conseguiu encolher os ombros algo desdenhoso. Não pretendia de maneira nenhuma formular juízos de valor apenas lhe disse não acreditar em amores à primeira vista, aconselhando-a a ir com ponderação e calma.

Referiu-lhe que seria boa ideia manter alguma distância e não abrir, de par em par, as portas e janelas de sua casa.

Ela, não gostando do que estava a ouvir, disse-lhe que estava cada vez mais retrógrado e que estava a começar a ver o que outrora tinha deixado para trás e que por isso, receoso e com algum prurido no cotovelo, lhe maldizia daquele que para ela era o príncipe no cavalo branco.

Ela saiu e bateu com a porta.

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